Abu al-Ala al-Ma'arri, em árabe: أبو العلاء المعري,(Maarate Anumane, 26 de dezembro de 973 – Maarate Anumane, 9 de maio de 1057), também conhecido por seu nome latino Abulola Moarrensis; filósofo, poeta e escritor árabe de Maarate Anumane, no Emirado de Alepo (na atual Síria). Devido à sua visão antirreligiosa de mundo, ele é conhecido como um dos
Biografia
Abu al-Ala al-Ma'arri, em árabe: أبو العلاء المعري,(Maarate Anumane, 26 de dezembro de 973 – Maarate Anumane, 9 de maio de 1057), também conhecido por seu nome latino Abulola Moarrensis; filósofo, poeta e escritor árabe de Maarate Anumane, no Emirado de Alepo (na atual Síria). Devido à sua visão antirreligiosa de mundo, ele é conhecido como um dos “principais ateus” de seu tempo, embora sua visão de mundo fosse mais próxima do deísmo. No entanto, em seu tratado defensivo “Zajr al-Nabeh” (A Repulsa do Ladrão) — um manuscrito editado e publicado em 1965 — al-Ma'arri identificou-se explicitamente como um muçulmano fiel e refutou sistematicamente as acusações de heresia feitas contra ele por seus contemporâneos. No texto, ele busca refúgio em Deus contra as alegações de que sua poesia é prova de ateísmo. Além disso, ele esclarece seus versos para afirmar estritamente sua crença ortodoxa no Dia do Juízo Final e na vida após a morte. Em vez de rejeitar a religião em si, al-Ma'arri dirigiu suas críticas aos estudiosos religiosos de sua época, zombando de sua ignorância teológica e revertendo a acusação ao rotular seus críticos como os verdadeiros desviados e ateus.
Nascido na cidade de al-Ma'arra (atual Maarate Anumane, Síria) durante o final da era abássida, ficou cego ainda jovem devido à varíola, mas mesmo assim estudou na vizinha Alepo, depois em Trípoli e Antioquia. Produzindo poemas populares em Bagdá, recusou-se a vender seus textos. Em 1010, retornou à Síria depois que sua mãe começou a ter problemas de saúde e continuou escrevendo, o que lhe rendeu respeito local.
Descrito como um “livre-pensador pessimista”, al-Ma'arri foi um racionalista polêmico de sua época, rejeitando a superstição e o dogmatismo. Seus trabalhos escritos exibem uma fixação no estudo da linguagem e seu desenvolvimento histórico, conhecido como filologia. Era pessimista em relação à vida, descrevendo-se como “um prisioneiro duplo” da cegueira e do isolamento. Atacou dogmas e práticas religiosas, foi igualmente crítico e sarcástico em relação ao judaísmo, ao cristianismo, ao islamismo e ao zoroastrismo, e tornou-se deísta. Em resposta às acusações contemporâneas de heresia decorrentes dessas críticas poéticas, al-Ma'arri escreveu “Zajr al-Nabeh”. Nesse texto, ele negou explicitamente ter crenças ateístas ou anti-islâmicas, esclarecendo que seus versos visavam a corrupção, a hipocrisia e a ignorância das figuras religiosas, e não os princípios fundamentais da própria fé.
Defendeu a justiça social e teve um estilo de vida ascético e isolado. Era vegano, conhecido em sua época como vegetariano moral, e pedia: “Não deseje como alimento a carne de animais abatidos / Ou o leite branco de mães que destinam seu puro caldo para seus filhotes.” Al-Ma'arri tinha uma visão antinatalista, alinhada com seu pessimismo geral, sugerindo que as crianças não deveriam nascer para poupá-las das dores e do sofrimento da vida. Saqt az-Zand, Luzumiyat e Risalat al-Ghufran estão entre suas principais obras.
Legado e influência
Consistente com seu pessimismo generalizado, al-Ma'arri nutria um profundo ceticismo em relação às relações de gênero e defendia o isolamento rigoroso das mulheres. Conforme analisado pelo estudioso egípcio Taha Hussein, al-Ma'arri desaconselhava ensinar as mulheres a ler ou escrever para protegê-las da corrupção social e argumentava, controversamente, que a peregrinação Haje não deveria ser obrigatória para elas.
Abu al-‘Ala’ nasceu em dezembro de 973 em al-Ma'arra (atual Maarate Anumane, Síria), a sudoeste de Alepo, de onde vem o adjetivo que indica o local de origem (“al-Ma'arri”). Em sua época, a cidade fazia parte do Califado Abássida, o terceiro califado islâmico, durante a Idade de ouro islâmica. Ele era membro dos Banu Sulayman, uma notável família de Ma'arra, pertencente à tribo dos tanuquitas, de maior porte. Um de seus ancestrais foi provavelmente o primeiro cádi de Ma'arra. A tribo dos tanuquitas fez parte da aristocracia na Síria por centenas de anos e alguns membros dos Banu Sulayman também eram conhecidos como ótimos poetas. Ele perdeu a visão aos quatro anos devido à varíola. Mais tarde, em sua vida, ele se considerava “um prisioneiro duplo”, o que se referia tanto à cegueira quanto ao isolamento geral que sentiu durante sua vida.
Começou sua carreira como poeta muito cedo, com cerca de 11 ou 12 anos. Foi educado inicialmente em Ma'arra e Alepo, depois em Antioquia e em outras cidades sírias. Entre seus professores em Alepo estavam companheiros do círculo de ibn Khalawayh. Esse gramático e estudioso islâmico morreu em 980 d.C., quando al-Ma'arri ainda era uma criança. Al-Ma'arri, no entanto, lamenta a perda de ibn Khalawayh em termos fortes em um poema de seu Risālat al-Ghufrān. Al-Qifti relata que, quando estava a caminho de Trípoli, al-Ma'arri visitou um monastério cristão perto de Lataquia, onde ouviu debates sobre filosofia helenística que deram origem ao seu secularismo, mas outros historiadores, como ibn al-Adim, negam que ele tenha sido exposto a qualquer teologia que não fosse a doutrina islâmica.
Em 1004–1005, al-Ma'arri soube que seu pai havia falecido e, em reação a isso, escreveu uma elegia em que elogiava seu pai. Anos mais tarde, viajaria para Bagdá, onde foi bem recebido nos salões literários da época, embora fosse uma figura controversa. Após dezoito meses em Bagdá, al-Ma'arri voltou para casa por motivos desconhecidos. Ele pode ter retornado porque sua mãe estava doente ou pode ter ficado sem dinheiro em Bagdá, pois se recusou a vender suas obras. Retornou à sua cidade natal de Ma'arra por volta de 1010 e soube que sua mãe havia morrido antes de sua chegada.


