Trabalhar é belo e gratificante, mas a aquisição de riqueza pelo próprio bem é repugnante.
Robert Wilhelm Eberhard Bunsen foi um químico alemão. Investigou espectros de emissão de elementos aquecidos e descobriu o césio em 1860 e o rubídio em 1861 com o físico Gustav Kirchhoff. O Prêmio Bunsen–Kirchhoff de espectroscopia é nomeado em homenagem a Bunsen e Kirchhoff.
Bunsen também desenvolveu vários métodos de análise de gases, foi pioneiro em fotoquímica e realizou trabalhos iniciais no campo da química organarsénica. Com seu assistente de laboratório Peter Desaga, desenvolveu o queimador Bunsen, uma melhoria nos queimadores de laboratório então em uso.
Primeiros anos e educação
Robert Bunsen nasceu em Göttingen em 1811, no que é hoje o estado da Baixa Saxônia na Alemanha. Bunsen era o mais jovem de quatro filhos do bibliotecário-chefe da Universidade de Göttingen e professor de filologia moderna, Christian Bunsen 1770–1837.
Após frequentar a escola em Holzminden, Bunsen se matriculou em Göttingen em 1828 e estudou química com Friedrich Stromeyer, bem como mineralogia com Johann Friedrich Ludwig Hausmann e matemática com Carl Friedrich Gauss. Após obter seu PhD em 1831, Bunsen passou 1832 e 1833 viajando pela França, Alemanha e Áustria. Durante suas jornadas, Bunsen conheceu os cientistas Friedlieb Runge que descobriu anilina e em 1819 isolou cafeína, Justus von Liebig em Giessen e Eilhard Mitscherlich em Bonn.
Carreira acadêmica
Em 1833 Bunsen se tornou um palestrante em Göttingen e começou estudos experimentais da insolubilidade de sais de metais de ácido arsenoso. Sua descoberta do uso de hidrato de óxido de ferro como agente precipitante levou ao que ainda hoje é o antídoto mais eficaz contra envenenamento por arsênico. Esta pesquisa interdisciplinar foi continuada e publicada em conjunto com o médico Arnold Adolph Berthold. Em 1836, Bunsen sucedeu Friedrich Wöhler na Escola Politécnica de Kassel alemão: Baugewerkschule Kassel. Bunsen lecionou lá por três anos e depois aceitou um cargo de professor associado na Universidade de Marburg, onde continuou seus estudos sobre derivados de cacodilo. Foi promovido a professor titular em 1841. Enquanto esteve na Universidade de Marburg, Bunsen participou da expedição de 1846 para investigar os vulcões da Islândia.
O trabalho de Bunsen lhe trouxe rápido e amplo reconhecimento, em parte porque cacodilo, que é extremamente tóxico e sofre combustão espontânea no ar seco, é tão difícil de trabalhar. Bunsen quase morreu de envenenamento por arsênico, e uma explosão com cacodilo o deixou cego no olho direito. Em 1841, Bunsen criou a bateria Bunsen, usando um eletrodo de carbono em vez do caro eletrodo de platina usado na célula eletroquímica de William Robert Grove. No início de 1851 aceitou um cargo de professor na Universidade de Breslau, onde ensinou por três semestres.

No final de 1852 Bunsen se tornou sucessor de Leopold Gmelin na Universidade de Heidelberg. Lá ele usou eletrólise para produzir metais puros, como crômio, magnésio, alumínio, manganês, sódio, bário, cálcio e lítio. Uma longa colaboração com Henry Enfield Roscoe começou em 1852, na qual estudaram a formação fotoquímica de cloreto de hidrogênio HCl a partir de hidrogênio e cloro. A partir deste trabalho, originou-se a lei da reciprocidade de Bunsen e Roscoe. Descontinuou seu trabalho com Roscoe em 1859 e se juntou a Gustav Kirchhoff para estudar espectros de emissão de elementos aquecidos, uma área de pesquisa chamada análise espectral. Para este trabalho, Bunsen e seu assistente de laboratório, Peter Desaga, haviam aperfeiçoado um queimador de gás especial em 1855, que foi influenciado por modelos anteriores. O novo design de Bunsen e Desaga, que fornecia uma chama muito quente e limpa, é agora chamado simplesmente de "queimador Bunsen", um equipamento comum de laboratório.
Havia estudos anteriores sobre as cores características de elementos aquecidos, mas nada sistemático. No verão de 1859, Kirchhoff sugeriu a Bunsen que ele deveria tentar formar espectros prismáticos dessas cores. Em outubro daquele ano, os dois cientistas haviam inventado um instrumento apropriado, um protótipo de espectroscópio. Usando-o, conseguiram identificar os espectros característicos de sódio, lítio e potássio. Após inúmeras purificações laboriosas, Bunsen provou que amostras altamente puras davam espectros únicos. No decorrer deste trabalho, Bunsen detectou novas linhas de emissão espectral azul previamente desconhecidas em amostras de água mineral de Dürkheim. Ele suspeitou que essas linhas indicavam a existência de um elemento químico não descoberto. Após cuidadosa destilação de quarenta toneladas dessa água, na primavera de 1860 conseguiu isolar 17 gramas de um novo elemento. Ele nomeou o elemento "césio", após a palavra latina para azul profundo. No ano seguinte descobriu o rubídio, por um processo similar.
Em 1860, Bunsen foi eleito membro estrangeiro da Real Academia Sueca de Ciências.
Em 1877, Robert Bunsen, juntamente com Gustav Robert Kirchhoff, foram os primeiros recipientes da prestigiosa Medalha Davy "por suas pesquisas e descobertas em análise espectral".
Personalidade
Bunsen foi um dos cientistas mais universalmente admirados de sua geração. Era um mestre professor, dedicado aos seus alunos, e eles eram igualmente devotados a ele. Em uma época de debates científicos vigorosos e muitas vezes cáusticos, Bunsen sempre se conduziu como um perfeito cavalheiro, mantendo sua distância de disputas teóricas. Ele muito preferia trabalhar quietamente em seu laboratório, continuando a enriquecer sua ciência com descobertas úteis. Por uma questão de princípio, nunca patenteou nada. Nunca se casou.

Apesar de sua falta de pretensão, Bunsen era um "caráter químico" vívido, tinha um senso de humor bem desenvolvido e é assunto de muitas anedotas divertidas.
Aposentadoria e morte
Quando Bunsen se aposentou aos 78 anos, deslocou seu trabalho unicamente para geologia e mineralogia, interesses que havia perseguido ao longo de sua carreira. Ele morreu em Heidelberg em 16 de agosto de 1899, aos 88 anos.


